Criando Personagens para um Roteiro de Ficção 

Um roteiro audiovisual de ficção só existe se houver um “conflito”. E por sua vez só existirá “conflito” se houver um embate entre dois ou mais personagens sobre uma temática. Mas não basta descrever o personagem. É preciso que ele tenha “alma”, comportamento, possua um lugar onde vive e que tenha uma vida pregressa, objetivos a atingir e sonhos secretos. O que pensa da vida e do mundo que o rodeia. Por mais talentoso que seja o ator que irá lhe dar vida ele precisa de dados do personagem para poder compô-lo.

Mas como criar isso tudo? Observação e um método de construção dessa pessoa, com aparência física associada a dados que provoque empatia no espectador. 

Eis um método simples, barato e fácil de executar! Um grande número de roteiristas costumam fazer uma ficha do personagem à partir de pessoas que conhecem no seu dia a dia, dos lugares que frequenta: na rua, no trabalho, na faculdade, no clube, na academia de ginástica, no grupo de lazer, no condomínio onde mora, na igreja e associações que frequenta. Enfim, uma galeria de personagens nos quais pode se inspirar ou se espelhar. Reunindo as qualidades e defeitos, princípios e contradições dessas pessoas para nutri-lo na criação dos seus personagens. Você pode agrupar vários personagens em um só com dados que aumente a sua empatia com o público. 

Para facilitar o seu trabalho, visualize, dê uma cara ao seu personagem. Como você deve se perguntar? Folheie as revistas de “fofoca”, de moda, semanários de consumo repletos de publicidade e matérias com pessoas comuns e celebridades. Escolha algumas delas, recorte as fotos e faça um painel na parede colada em cartolina ou em um quadro de cortiça, montando sua galeria de personagens, em sua sala de roteirista. Dê o nome a eles. Escolha os que tem o físico e a idade aparente do seu personagem. A partir daí preencha ficha dele respondendo os itens do cadastro do personagem: nome ou apelido do personagem, idade aparente, tipo físico, cor ou raça, estado civil, profissão, origem sócio econômico, religião, nível de instrução, personalidade e habilidades especiais. 

Para dar “alma e vivência” ao personagem que você acaba de construir visualmente passe a atuar como um psicólogo/psicanalista compondo o interior daquela pessoa. Da cabeça do personagem. Reunindo, sobretudo no que interessa a trama: qualidades e defeitos da personalidade, comportamento social, humor, medos, manias, crenças, e filosofia existencial, reservado ou expansivo, agregador ou individualista, líder ou influenciável, falastrão ou de poucas palavras e assim por diante… O traço da sua personalidade. O seu personagem começa a ganhar vida e através dos diálogos com os demais personagens passamos ser informado sobre o que acima selecionamos, sugerindo-nos comportamentos e sobretudo ações. 

Com esse conjunto de ações criativas você produzirá personagens interessantes e inesquecíveis do grande público como o vivido por H. Bogart em “Casablanca”, o jovem hoteleiro psicopata Bates em “Psicose” de A. Hitchcock. O personagem do pacato professor de química Walter White na série “The Breaking Bad”. Há uma imensa galeria de personagens geniais em todos os gêneros de filmes. Um ator só poderá desenvolvê-los e recriá-los, humanizando-os e tornando-os verossímeis se os personagens tiverem alma e vivência construída por você que reuniu dados e construiu um ser consistente e verdadeiro. 

O personagem é quem conduz a narrativa… narra a trama vivenciando as ações do “conflito” do princípio, meio e fim da sua história.

Jorge Monclar

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